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Não existem perguntas imbecis

Um pedaço do capítulo 19 no livro O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan (Companhia de Bolso, 2013). Deu na telha de publicar aqui porque gosto bastante dessa passagem, além de tantas outras.

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À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer perguntas importantes), poucos de nós passam muito tempo pensando por que a Natureza é como é; de onde veio o Cosmos, ou se ele sempre existiu; se o tempo vai um dia voltar atrás, e os efeitos vão preceder as causas; ou se há limites elementares para o que os humanos podem conhecer. Há até crianças, e eu conheci algumas delas, que desejam saber como é um buraco negro; qual é o menor pedaço de matéria; por que nos lembramos do passado, mas não do futuro; e por que um Universo.

De vez em quando, tenho a sorte de lecionar num jardim de infância ou numa classe do primeiro ano primário. Muitas dessas crianças são cientistas natos – embora tenham mais desenvolvido o lado da admiração que o do ceticismo. São curiosas, intelectualmente vigorosas. Perguntas provocadoras e perspicazes sabem delas aos borbotões. Demonstram enorme entusiasmo. Sempre recebo uma série de perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da noção de “perguntas imbecis”.

Mas, quando falo a estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os “fatos”. Porém, de modo geral, a alegria da descoberta, a vida por trás desses fatos, se extinguiu em suas mentes. Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de fazem perguntas “imbecis”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica inundada de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, se eles têm aprovação de seus pares. Vêm para a aula com as perguntas escritas em pedaços de papel que sub-repticiamente examinam, esperando a sua vez, e sem prestar atenção à discussão em que seus colegas estão envolvidos naquele momento.

Algo aconteceu entre o primeiro ano primário e o último ano secundário, e não foi apenas a puberdade. Eu diria que é, em parte, a pressão dos pares para não se sobressair (exceto nos esportes); em parte, o fato de a sociedade ensinar gratificações a curto prazo; em parte, a impressão de que a ciência e a matemática não vão dar a ninguém um carro esporte; em parte, que tão pouco seja esperado dos estudantes; e, em parte, que haja poucas recompensas ou modelo de papéis para uma discussão inteligente sobre ciência e tecnologia – ou até para o aprendizado em si mesmo. Os poucos que continuam interessados são difamados como nerds, geeks ou grinds.

Mas há outra coisa: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem perguntas científicas. Por que a Lua é redonda?, perguntam as crianças. Por que a grama é verde? O que é um sonho? Até onde se pode cavar um buraco? Quando é o aniversário do mundo? Por que nós temos dedos nos pés? Muitos pais e professores respondem com irritação ou zombaria, ou mudam rapidamente de assunto: “Como é que você queria que a Lua fosse, quadrada?”. As crianças logo reconhecem que de alguma forma esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde interesse pela ciência. Por que os adultos têm de fingir onisciência diante de crianças de seis anos é algo que nunca vou compreender. O que há de errado em admitir que não sabemos alguma coisa? A nossa autoestima é assim tão frágil?

(…)

Há muitas respostas melhores do que fazer a criança sentir que está cometendo um erro social crasso ao propor perguntas profundas. Se temos uma ideia da resposta, podemos tentar explicar. Uma tentativa mesmo incompleta proporciona nova confiança e encorajamento. Se não temos ideia da resposta, podemos procurar na enciclopédia. Se não temos enciclopédia, podemos levar a criança para a biblioteca. Ou podemos dizer: “Não sei a resposta. Talvez ninguém saiba. Quando você crescer, será talvez a primeira pessoa a descobrir tal coisa”.

Há perguntas ingênuas, perguntas enfadonhas, perguntas mal formuladas, perguntas propostas depois de uma inadequada autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para compreender o mundo*. Não existem perguntas imbecis.

*Não estou considerando a rajada de porquês que as crianças de dois anos às vezes disparam contra os pais – tentando talvez controlar o comportamento adulto.

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cross-connect:

Richard MacDonald

Educated in painting and illustration at the Art Center College of Design, MacDonald was successful as a commercial illustrator until his late thirties when a fire destroyed his studio, along with the accumulated works of his career as painter and illustrator. Subsequently, he began sculpting in earnest and within ten years became one of the most collected present-day figurative sculptors in America. His work has been acquired for the permanent collections of corporations such as AT&T, IBM, and Anheuser-Busch, as well as notable private collections. His work has been described as “paying tribute to the eloquence of the human form.” He is an advocate of neo-realism and figurative art, and has fostered emerging and professional artists through annual international Masters Workshops

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odditiesoflife:

Ten of the Best Storybook Cottage Homes Around the World

These 10 fairy tale inspired cottages with their hand-made details call to mind the tales of the Brothers Grimm and other fantasy stories. All of these cottages are real-life homes from around the world. From stunning cottage houses to mystical stone dwellings, these 10 storybook cottage homes provide inspiration and inspire the imagination.

  1. Hobbit House - Rotorua, New Zealand
  2. Winckler Cottage - Vancouver Island, Canada
  3. Akebono kodomo-no-mori Park, Japan
  4. Wooden Cottage - Białka Tatrzańska, Tatra Mountains, Poland
  5. Blaise Hamlet - Bristol, England
  6. Fantasy House - Location Unknown
  7. Forest House - Efteling, The Netherlands
  8. Cottage in the Hamlet of Marie Antoinette - Versailles, France
  9. Cob House - Somerset, United Kingdom
  10. The Spadena House - Beverly Hills, California, United States
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gwyndor:

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